Tem dias em que passo as noites rebolando...
Ao som dos meus ciclónicos pensamentos
E das molas do colchão.
Rebolo para a esquerda,
Rebolo para a direita...
Por vezes quase caio no chão.
E tudo isso me parece um filme, ilusão.
Acendo a vela, apago a luz.
Aquela escuridão que tremeluz
Aquece, aconchega...seduz.
E as flores que colhi de manhã?
Murcharam,
Mais uma vez... Murcharam.
Que representarei eu para elas?
A ausência de cor?
Ausência de vida, isso sim, certamente.
Porque existe esse meu lado, sim.
O lado morto da mente.
No lado direito do cérebro vive ele,
Com esse lado da mente me destruo.
Lado esquerdo, que tudo escreve, pinta, maneja...
Atacado pelo arqui-inimigo,
Ambos vítimas da ambidestra.
Ambos em luta pela razão...
A mente destra corta o canhoto sem compaixão...
E o canhoto questiona...mas que é isto que nos fazemos?
Serei eu duas pessoas fechadas num corpo?
Duas almas que se pegam infinitamente
Até que vença um dos lados...
E se o lado louco vencer?
Sobreviverá o corpo?
São questões de alguém são,
Alguém são, com medo de ser louco,
E como tal, acabar morto.