sexta-feira, 3 de março de 2017

Fui Pedra, Fui Amor.

Por amor contra mim fui,
Num acto que repudio
Pratiquei o desamor.
E mói o meu coração, dói.

Por amor,
Pedra deixei ser meu coração,
Gelo era o meu sangue
Num segundo de in-decisão.

E choro eu agora,
Já não chora quem protejo...
Mas esta tristeza mata-me
Em cada segundo que não te vejo.

Todos quero defender.
Depois de te salvar, deixar-te ir,
Quem é agora a sofrer?
Quem é agora a rir?

Dorme bem, meu bem,
Que a Mãe te dê protecção.
Sei que não te pude ajudar,
Que cada dia do meu sofrer,
Seja um de alegria no teu viver.

Eva Sêco Lima

domingo, 28 de agosto de 2016

É Relembrar Que Capeta Só Há Um

Íamos nós caminhando na noite quente,
Íamos a decidir qual dos três jardins teria mais encanto...
Algo pouco usual nos distraiu de repente:
Um Ser deitado na cidade, assim ali no meio... não no usual canto!

Humanos passaram, humanos ignoraram...
Eu humana quis passar e ignorar...
Aquele Ser era um tal como eu... humano,
Que humana me estou a tornar?

"É um bêbado." - pensei. Porque bêbado para mim deixara de ser alguém...
Mas quem estava comigo ainda consegue ser Ser...
E conheci aquele ninguém, tornado bêbedo pois perdera alguém.
Perdera a única pessoa que tinha...
Perdera a sua mãe.

E senti um auto-ódio.
Uma raiva que me fez doer a alma,
Um aperto que me fez perder a calma...

Como posso ter raiva deste Ser frágil?
Um Ser frágil assim já foi meu pai.
Tanto precisou ele de uma ajuda, de um bom coração...
E eu só consigo pensar nos que semeiam destruição.

Que eu tenha conhecido um Capeta entre eles,
Não é culpa de todos os Seres Humanos...
Um Belzebu de cachaça em riste
Que em toda a minha alma só tenha causado danos...

Não é culpa de todos os humanos.

Eva Sêco

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

BPD: Borderline Personality Description

Bem mais que aquilo que vês,
Um olhar, um esgar, uma expressão,
É bem mais que aquilo que mostra. Todo um gesto a fazer passa num momento de reflexão.

Num comportamento está todo um cuidado,
Toda uma vida para um agir pensado.
Escapes constantes ao dejà-vu
Para que o que foi não volte do passado.

Evitar ver, sentir, viver novamente...
Seja na TV, seja ali à frente,
Algo que se presenciou e nos mudou.
O nosso Eu já só se sente espezinhado,
é-se um interior bicho que no tempo ficou congelado.

E ali acaba o viver, não há agora
Só há passado.
Só há o que aconteceu, tudo o que se segue já está marcado...

Eva Sêco

domingo, 1 de maio de 2016

Vous Êtes Lúcifer

Descolo-me das pessoas...
Descolo mais depressa que sapato da Primark.
Não vá dar-lhes um dia um qualquer piripaque,
E transformar-se em Lúcifer
Com ânsias de me ver sofrer.

Confio mais depressa num gato.
Nos seus olhos revela-se toda uma alma
É um ser que ainda quer pertencer à Natureza,
Daí advém toda a sua paz, toda a sua calma.

Confio mais depressa num leão.
Sei exactamente que sou a sua presa,
Sem mentira, nenhuma ilusão.
Prezada convidada para a sua mesa.

Agora, com um humano...
Fica o pé atrás não há confusão.

Eva Sêco

terça-feira, 12 de abril de 2016

Primeiras Andorinhas - Anno ] [ (escrito a 12-4-2016)

E voltaram as princesas da Primavera.
Voando pelo meio da tormenta,
Por entre a imensa chuvada.
Fazem uma grande festa das luzes da trovoada.

Andorinhas são chilreios de alegria,
Voos de liberdade,
Atrevimento e fantasia...
São o eu saudável,
Antes da idade chegar execrável.

Particularmente virado para as traseiras,
Junto ao meu ninho voam rasteiras. Neste meu lugar,
Tenho com elas grande sorte de privar!

Eva Sêco

Primeiras Andorinhas (escrito a 13-4-2015)

São elas que me fazem soltar uma gargalhada num dia de pouca diversão. Fico a admira-las no seu voo: Mais alto que qualquer outro nesta cidade.
Ainda hoje tinha pensado nelas:
- Ainda não as vi nesta Primavera. Onde estão? Terão desistido de mim? Sinto saudades do seu canto alegre, da dança incansável nestes céus e dos voos rasos sobre o rio ao cair da tarde. Porque não voltaram elas?... Ou estarei eu distraída?

Até que olhei pela janela e identifiquei aquele voo alto que já conheço decor de tanto que apreciei desde pequenina ao descer a Rua do Anjo e no adeus no Setembro de Foz de Arouce...

Lá estão elas a voar alto... A cantar e a dançar.
Voltaram como sempre. E tenho a certeza que foi hoje!
E são a minha garantia que com a beleza da Natureza eu posso sempre contar.
Hoje eu vi as minhas primeiras Andorinhas.

Eva Sêco

terça-feira, 5 de abril de 2016

Arte e/ou Vida

A arte é feita de sonhos ou pesadelos:
Estes nunca aconteceram, acontecem ou acontecerão.

Apenas isso têm em comum,
A arte com a vida.
É não passam de meras palavras,
Tudo o resto é imaginação.

Nem a arte imita a vida,
Nem a vida imita a arte.
E pode rejeitar o que digo,
Apenas sou aspirante de filósofa.
Transformo filosofia em poesia
E poesia é uma arte que não impõe questão.
E arte é apenas mais imaginação.

Eva Sêco