Íamos nós caminhando na noite quente,
Íamos a decidir qual dos três jardins teria mais encanto...
Algo pouco usual nos distraiu de repente:
Um Ser deitado na cidade, assim ali no meio... não no usual canto!
Humanos passaram, humanos ignoraram...
Eu humana quis passar e ignorar...
Aquele Ser era um tal como eu... humano,
Que humana me estou a tornar?
"É um bêbado." - pensei. Porque bêbado para mim deixara de ser alguém...
Mas quem estava comigo ainda consegue ser Ser...
E conheci aquele ninguém, tornado bêbedo pois perdera alguém.
Perdera a única pessoa que tinha...
Perdera a sua mãe.
E senti um auto-ódio.
Uma raiva que me fez doer a alma,
Um aperto que me fez perder a calma...
Como posso ter raiva deste Ser frágil?
Um Ser frágil assim já foi meu pai.
Tanto precisou ele de uma ajuda, de um bom coração...
E eu só consigo pensar nos que semeiam destruição.
Que eu tenha conhecido um Capeta entre eles,
Não é culpa de todos os Seres Humanos...
Um Belzebu de cachaça em riste
Que em toda a minha alma só tenha causado danos...
Não é culpa de todos os humanos.
Eva Sêco