domingo, 28 de agosto de 2016

É Relembrar Que Capeta Só Há Um

Íamos nós caminhando na noite quente,
Íamos a decidir qual dos três jardins teria mais encanto...
Algo pouco usual nos distraiu de repente:
Um Ser deitado na cidade, assim ali no meio... não no usual canto!

Humanos passaram, humanos ignoraram...
Eu humana quis passar e ignorar...
Aquele Ser era um tal como eu... humano,
Que humana me estou a tornar?

"É um bêbado." - pensei. Porque bêbado para mim deixara de ser alguém...
Mas quem estava comigo ainda consegue ser Ser...
E conheci aquele ninguém, tornado bêbedo pois perdera alguém.
Perdera a única pessoa que tinha...
Perdera a sua mãe.

E senti um auto-ódio.
Uma raiva que me fez doer a alma,
Um aperto que me fez perder a calma...

Como posso ter raiva deste Ser frágil?
Um Ser frágil assim já foi meu pai.
Tanto precisou ele de uma ajuda, de um bom coração...
E eu só consigo pensar nos que semeiam destruição.

Que eu tenha conhecido um Capeta entre eles,
Não é culpa de todos os Seres Humanos...
Um Belzebu de cachaça em riste
Que em toda a minha alma só tenha causado danos...

Não é culpa de todos os humanos.

Eva Sêco

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

BPD: Borderline Personality Description

Bem mais que aquilo que vês,
Um olhar, um esgar, uma expressão,
É bem mais que aquilo que mostra. Todo um gesto a fazer passa num momento de reflexão.

Num comportamento está todo um cuidado,
Toda uma vida para um agir pensado.
Escapes constantes ao dejà-vu
Para que o que foi não volte do passado.

Evitar ver, sentir, viver novamente...
Seja na TV, seja ali à frente,
Algo que se presenciou e nos mudou.
O nosso Eu já só se sente espezinhado,
é-se um interior bicho que no tempo ficou congelado.

E ali acaba o viver, não há agora
Só há passado.
Só há o que aconteceu, tudo o que se segue já está marcado...

Eva Sêco

domingo, 1 de maio de 2016

Vous Êtes Lúcifer

Descolo-me das pessoas...
Descolo mais depressa que sapato da Primark.
Não vá dar-lhes um dia um qualquer piripaque,
E transformar-se em Lúcifer
Com ânsias de me ver sofrer.

Confio mais depressa num gato.
Nos seus olhos revela-se toda uma alma
É um ser que ainda quer pertencer à Natureza,
Daí advém toda a sua paz, toda a sua calma.

Confio mais depressa num leão.
Sei exactamente que sou a sua presa,
Sem mentira, nenhuma ilusão.
Prezada convidada para a sua mesa.

Agora, com um humano...
Fica o pé atrás não há confusão.

Eva Sêco

terça-feira, 12 de abril de 2016

Primeiras Andorinhas - Anno ] [ (escrito a 12-4-2016)

E voltaram as princesas da Primavera.
Voando pelo meio da tormenta,
Por entre a imensa chuvada.
Fazem uma grande festa das luzes da trovoada.

Andorinhas são chilreios de alegria,
Voos de liberdade,
Atrevimento e fantasia...
São o eu saudável,
Antes da idade chegar execrável.

Particularmente virado para as traseiras,
Junto ao meu ninho voam rasteiras. Neste meu lugar,
Tenho com elas grande sorte de privar!

Eva Sêco

Primeiras Andorinhas (escrito a 13-4-2015)

São elas que me fazem soltar uma gargalhada num dia de pouca diversão. Fico a admira-las no seu voo: Mais alto que qualquer outro nesta cidade.
Ainda hoje tinha pensado nelas:
- Ainda não as vi nesta Primavera. Onde estão? Terão desistido de mim? Sinto saudades do seu canto alegre, da dança incansável nestes céus e dos voos rasos sobre o rio ao cair da tarde. Porque não voltaram elas?... Ou estarei eu distraída?

Até que olhei pela janela e identifiquei aquele voo alto que já conheço decor de tanto que apreciei desde pequenina ao descer a Rua do Anjo e no adeus no Setembro de Foz de Arouce...

Lá estão elas a voar alto... A cantar e a dançar.
Voltaram como sempre. E tenho a certeza que foi hoje!
E são a minha garantia que com a beleza da Natureza eu posso sempre contar.
Hoje eu vi as minhas primeiras Andorinhas.

Eva Sêco

terça-feira, 5 de abril de 2016

Arte e/ou Vida

A arte é feita de sonhos ou pesadelos:
Estes nunca aconteceram, acontecem ou acontecerão.

Apenas isso têm em comum,
A arte com a vida.
É não passam de meras palavras,
Tudo o resto é imaginação.

Nem a arte imita a vida,
Nem a vida imita a arte.
E pode rejeitar o que digo,
Apenas sou aspirante de filósofa.
Transformo filosofia em poesia
E poesia é uma arte que não impõe questão.
E arte é apenas mais imaginação.

Eva Sêco

Cicatrizes da Bagagem

Por vezes sinto que a minha vida está bem representada nas cores, nas linhas de uma tatuagem.
Outras vezes basta uma cicatriz para me levar de volta a pequenos contos que só me conta a minha bagagem.

Eva Sêco

quarta-feira, 9 de março de 2016

Uma Merda Normal

Sou uma merda normal.
Não me suporto.
Não posso mais tocar, segurar um bombo ali no ar...
Sou uma merda normal que ainda por cima não serve para nada.
Nem no palco nem no chão nem no esgoto.

Eva Sêco

segunda-feira, 7 de março de 2016

À Espera de Quê Mesmo?

"Porquê que eu não me mato?"
Perguntei eu a mim mesma.

Porque estou à espera de melhores dias.
"Melhores dias virão!" anda sempre o povo a dizer ao outro povo que lhe contou os seus dias merdosos.
E o que é certo é que ninguém tem dias cem por cento maravilhosos!
Mas os meus, filhos da puta, execráveis, dolorosos... Não há um que não dê luta.
Se não é pelo cu é pelas calças, se não é pela dor é pela alma. Ando sempre agarrada às pastilhas, umas para conseguir andar, outras para conseguir ter calma.
Já ando há anos nessa da espera. Já cheguei a conquistar sonhos a mim retirados de maneiras brutais...
Foda-se, acho mesmo que já esperei demais.

Eva Sêco

domingo, 6 de março de 2016

Como Acabar na Solitária

Ser honesto.
Ser honesto connosco,
Com o que nos rodeia,
Com os outros...
É acabar numa solitária.

É não corroborar com alguém,
Não lhe dizer amém...
É então adeus,
Que o Senhor nos acompanhe.

Eva Sêco

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Pensando em Estrume

A mentira é solo fértil, bem carregado de estrume, do qual ervas daninhas se alimentam e tratam de propagar como sabemos ser bem seu costume.

Eva Sêco

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Cementfulness

Gosto de observar o mundo à minha volta...
Olhar além do cimento,
Da desarrumação da cidade...
Vou à cata de um pequeno algo que não me cause revolta.

Da minha janela vê-se um microcosmos,
Uma combinação de campo e cidade.
Uma pequena sorte que consegui, uma conquista, uma felicidade.

Gosto de observar o mundo que consigo alcançar...
Depois de dias de chuva, se o mínimo raio de sol...
Nas janelas nascem tecidos coloridos ao vento a dançar.

É domingo e a escola está fechada... Descobri que até gosto da escolita.
Dá um ar de aldeia à minha vista...
(se eu me habituar à gritaria da canalhada).

As pombas são soltas pelo columbófilo,
Tem duas branquinhas que ao passar nas nuvens se tornam invisíveis!
Vejo-as voar pela janela enquanto desfruto do meu momento cinéfilo...

E é a isto que eu chamo "cementfulness"!
Uma forma de gostar da cidade de alguma forma...
Uma receita filosófica:
Juntar o cimento com mindfulness!

Eva Sêco

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"O Sr. Júlio está?"

Relembro-te tantas vezes, todos os dias.
E eu pequenina e tu me surpreendeste?
Pegaste na minha flauta e tocaste melodias...
"Eram de quando eu era pastor!", disseste!

Sonho tantas vezes contigo!
Fico perplexa, pois estás ali comigo!
Imagino-te de volta a tua casa...
Pego na tua mão e levo-te para lá
E a tua casa volta a ser o meu abrigo.

Foste meu avô e foste meu pai.
Não consigo fazer teu luto,
Confesso não saber se o quero fazer...
Tenho demasiado medo de te deixar ir... De te perder.

Eva Sêco

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A toda a hora e segundo estive lá,
A toda a hora e segundo te proteji.
Outros tantos como eu choraram o teu sofrer
E com nosso passado de volta mais um pouco de nós também a morrer.

Por ti abandonei outros e esqueci o eu,
Dei toda a energia que não podia.
Deixei-me desgastar novamente por alguém,
Até chegar ao dia em que quase me fodia.

Ainda me manténs aqui,
Fingindo assim... Um qualquer tipo de amizade...
Estou encostada no cantinho...
Não vás precisar do guarda-chuva quando voltar uma tempestade.

Eva Sêco

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Limbo do Perdão

Como acontece...
Não, não sabemos.

Houve um tumulto
E assustamo-nos.

Os dias que seguem,
São passos medrosos.

Se neles há coincidências...
Ficamos nós tumultuosos.

E não seremos mais os mesmos.
Perdoamos...
Não esquecemos.
E não seremos mais os mesmos.
Perdoamos...
E tememos sentir a mesma dor...

Nunca mais seremos os mesmos...
Após essa dor.

Foi alguém que achávamos ser belo, lindo, perfeito, justo.

Entregamos a eles confiança, segredos, vida, alma e coração...

Sabiam eles do nosso mais profundo medo, sonho e aspiração...
Não seremos mais os mesmos.
Podemos perdoar,
Mas nunca se esquece.
E não seremos mais os mesmos.
Pois perdoamos,
Mas é horrível o medo de voltar a sentir a mesma dor...

Perdoamos, recalcados...
Porque não esquecemos o amor...
Mas nunca se volta a ser o mesmo depois de tanta dor...

Eva Sêco

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A Senha é Uma Boa Companheiraaaaaa... Ninguém o Pode Negar.

Na fila para esclarecer uma questão burocrática com a senha 239, sou eu e a senha 239 durante muito tempo.
Durante muito tempo trocamos confidências eu e a senha 239, fiquei a saber que a senha é fácil de enrolar, sei que é cor de rosa, que é de papel, sei que é irmã das senhas 238 e 240. Gosta de usar dois "corninhos" como penteado... Agora dos humanos à minha volta, desses não sei nada.

A solidão pode não aparecer a quem está sozinho nem ser negada a quem está rodeado de gente, é boa amiga de quem não é entendido!

Vou guardar a senha 239 comigo e escrever nas costas dela para não nos esquecermos, que nos divertimos imenso na EDP.

• Eva Sêco

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Pelo Espelho

Atirei o meu diário contra o espelho.
Passei através dele e fiquei a ver-me viver, como quem vê um filme sentado na sua temporária cadeira de cinema. 

Mas qual filme de acção? Quase lhe chamaria terror... 
Por vezes o horror não está à flor da pele, pois esta bem escondido mas nossas mentes.
Quem sabe um passado nos impeça de viver o presente e construir um futuro? 
E estar todo um dia todos os dias a lutar contra nós mesmos e... Enfim. 

Mas não sou quebravel como um espelho,
não após lutar com tantos vampiros!


Eva Sêco

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(In)Sane

I'm not your usual insane because all I want in this life is to feel unusually sane.

Eva Sêco

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Skin

When you look at my scars and you ask me what happened ... I usually answer awkwardly that those belong to the past...
I'm a liar.


Eva Sêco

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A Sobreviver

A felicidade é agora algo por que se luta.
Pior.
A felicidade é agora objecto de disputa.
A felicidade já não se alcança...vem em comprimido.
Em ti, em mim, naquele, no outro...
O que vejo?
Não é esperança.
Pelo canto do olho grita-se uma certa expressão...
Desconfiança.
Pois a felicidade é agora disputa.
E somos todos, mesmo os que pouco são,
Somos todos um pouco filhos da puta.
E toma o comprimido, confirmado placebo,
Permitir-te-á sentir um pouco de aconchego.
Deitas-te na cama depois do moroso dia,
Abraçado a ti mesmo, finges sentir a felicidade.
Mas...
Será que ela já te bateu à porta e te queria?
E tu naquele fim daquele teu moroso dia...
Não abriste.
O seu apelo...
Com o teu placebo confundiste?


Eva Sêco

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Das Cinzas

Deverei guardar rancor daqueles que escolhem acreditar na verdade errada?
Para eles aquela é a verdade. Foi uma que lhes foi contada.
Culpados por aquela escolher?
Mas na minha real verdade, na escolha da sua real mentira, mentirosa serei!
No meio disto tudo, parece ter sido eu... Pequei?
Que ódio cresce em mim quando penso nisso assim.
Tanto se luta para fazer o bem, que de tanto lutar se perde as forças, fica-se aquém.
Outros rejubilam de prazer dançando sobre as nossas cinzas,
Enquanto nós acabamos sós e aí extingue-se também a nossa voz.
À espera de renascer,
À espera que o rancor amenize,
Quem sabe não serei Fénix?
Para poder lutar novamente,
Para que meus desejos realize.
Lutar novamente:
Pelo que é realidade,
Pelo que acredito,
Abrir as asas e voar em liberdade.

Eva Sêco

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Reflexo Adquirido

O amor pode causar dor.
Disse-me um dia a desilusão.
O objecto não desilude.
Disse-me um dia a noção.
Então passei a amar o inanimado.
É o objecto objecto de afeição.
É o objecto o meu amado.
Ah! Como amo aqueles livros,
Como amo aqueles quadros,
Como amo aquilo que me faz sonhar,
Como amo o que não me faz magoar.
Embora que me impedir amar doa...
É só um pouco!
Nunca será tanto como a rejeição...
Impedir-me de amar doi, pois amar é tentação.
O amor pode causar dor,
Fico-me então pelo gostar.
Do que é humano,
Fico-me então pelo gostar.
Pois temo muito, muito a dor
Que pode ser causada pelo desamor.

Eva Sêco

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O Meu Transe

Culpo-me por ter ideologias.
Chamem-lhe utopias,
Chamem-lhe o que quiserem.
Sou livre de viver em sonhos, fantasias...
Nasci livre! Tão livre que nasci nua!
Não fui destinada ao teu destino,
Sou livre. A cada passo, construo a minha rua.
Não entro em transe com a vossa bebida,
Entro em paranóia com esse estilo de vida.
E sigo descontente e medicada para esta mente...
Mente esta... Para vós é doente?
Se a mim me dessem a música,
E a Natureza e os meus iguais me rondassem...
Jamais haveria químicos que me tocassem.
Mas resta-me apenas aguentar,
Entrar em transe com guitarras e baterias,
Vozes únicas cantando filosofias...
Deixem-me ser, deixem-me estar...
Sou só... Serei?
Não sei... Não me parece...
Só sei que estou num mundo onde não me apetece.

Eva Sêco

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(escrito durante um concerto de Linda Martini)

"Eu < 3 - te " Isso é alguma modernice nova da net que ainda não vi?

Sentada à entrada da porta,
Fico pasmada na hipnose do imaginar...
Já não me lembro, já não sei o que é ser amada!
Só lembro, sinto, ainda lembro o que é amar.
Será que ser amada é igual a este desejo de te ver?
A este arrepio na barriga quando te vejo, mesmo sem te ter?
Ser amada deve ser permitir-me relembrar do teu beijo...que foi nosso.
Mas não posso pensar nisso. É perigoso.
Não posso pensar nisso. É doloroso.
Ser amada deve ser um esplendor de paz.
Sim, sem todos os "serás", "talvez"...
"Há alguém melhor" e "tu meu nunca serás"...
Será o meu vício de adormecer enrolando os meus próprios caracóis?
Pensar que poderiam ser enrolados por outro alguém que gostasse de adormecer assim também ...
Penso : haverá alguém, algures para mim?
Sem mais enganos, sem mais nenhuns danos...
Mas confesso, julgo-me demasiado valiosa...
Mas na mente.... Na mente somente...
Demasiado engenhosa...
Na vida, mil anos vivida...
Mas ponho-me a um canto encolhida,
Sou demasiado estranha, não sou?
Ninguém? Serei?
Nem isso sei explicar bem ...
Falta o bling bling? Ou falta a gargalhada estérica? Ou faltará ser quem não sou? Ou.... Ou...

Eva Sêco

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Fortidão

Estar só não é de todo nem tudo só solidão.
Estar só também tem bem.
Também tem algo de bom.
Poder chorar sem ninguém ver,
poder chorar sem ninguém saber.
Porque mulher só tem que ter um sorriso treinado a mostrar
e aquele certo estatuto a defender
e atrás desses,
um músculo treinado para lutar
caso seja preciso alguns dentes arrancar.
Mas estando só, na solidão do seu lar,
Na companhia de apenas o som do seu próprio pensamento,
Na dor do seu próprio tormento...
Por favor, que se deixe apenas por um momento,
chorar.

Eva Sêco

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A Minha Confissão

Aqui vos vou contar,
Aqui vos vou dizer...
Aqui fica entre nós
O mais bem guardado segredo do meu ser...
Não me conheces para além do que vês!
Pois eu me mascaro.
Pois ora te protejo.
Da mais profunda dor que sinto, tu crês?
Pois nas minhas dores insuportáveis,
se sozinha no hospital,
Posso largar em paz as lágrimas insustentáveis,
do meu canal lacrimal.
E se estas dores me impedem de trabalhar,
Não imaginas tu tamanha amargura...
Não consigo viver comigo,
pela morte sigo à procura!
Mas não posso deixar-me morrer,
pelo menos não pela minha própria vontade,
Já uma de nós se foi,
perdi assim essa liberdade...

(...)

Eva Sêco

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Aprendiz de Pedinte

Promessas não passam de palavras
E palavras leva-as o vento...
Quando cumprir promessa era honra,
Já lá longe vai o tempo!
Chamem-me antiquada, mas julgo que sim,
Algumas coisas há em que antiquados deviamos permanecer.
Porque há algumas coisas que antiquadas são...
Que tornam mais bonito o nosso ser.
E não estou em situação de exigir nada,
Não sou nada além de ninguém...
Apenas mera pedinte,
Que apenas pedia para ser alguém.

Mãe (do poema popular)

Com três letrinhas apenas se escreve a palavra "mãe",
Das palavras mais pequenas
A mais cruel que o Mundo tem.

Eva Sêco

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Hermita

Papas de aveia,
Levantar às 3 e meia.
Não ter um tostão.
Arrastar-me pelo chão.
Já não sei cozinhar,
Já nem sequer sei falar.
Já morreu quem eu mais amava...
Já só falta a minha madrinha fada...
E estou eu assim sem ninguém.
Como é que eu cheguei a isto,
Quando sempre tive energia sem fim?
Tenho dores a toda a hora,
A cabeça é Caixa de Pandora,
O melhor é rezarem por mim!
O suicídio cheira a solução.
Precisava de um grande amigo,
Que me puxasse pela imaginação,
Tal qual Gilberto a Caetano...
Que me fizesse sair deste abrigo...
Para conseguir escrever reutilizo canções,
A imaginação foi-se junto com as depressões...
Instrumentos para um canto,
A voz canta sem encanto,
Sou eu assim, assim sou ninguém...

Eva Sêco

Rodinha de Gentinha

O amor está em extinção.
Experimentar?
Apenas sexo,
Só porque sim...
Desapareço.
A amizade está em extinção.
Ocupação?
Interesse,
Só porque sim...
Desaparece.
A família está em extinção.
Filho?
Que stress,
Só porque sim...
Se eu soubesse.
A tradição está em extinção.
Morreu?
Aleluia,
Só porque sim...
Assim não queria!
E tudo gira numa rodinha infinita,
À qual dão insignificancia tamanha,
Que a enorme rodinha
É infinitamente mesquinha.
E quando toda a pessoa ficar sozinha,
Sentada a olhar para fotografia de pequeninha...
Lembre-se desta rodinha onde podia haver um amigo,
Mas estavamos a olhar para o nosso umbigo.

Eva Sêco

Aqueles Sinais

Sou tão grande...
E neste momento não passo de uma miudinha assustada de olhos abertos
no seu quarto escuro como breu.
A miudinha não consegue dormir...
Escuta com atenção todo e qualquer som. 
Olha bem para a escuridão,
Será hoje que outro fantasma a virá visitar?
E se sim, quem será?
Será esta insónia um daqueles sinais?
Ou será uma daquelas preocupações banais?
Quem morrerá a seguir? Será amado ou de alguém amado?
Nunca deixa de deixar o seu coração assustado, para estes sinais nunca se chega a estar preparado...
E há então noites assim, em que sou tão grande mas sou a miudinha assustada... Na esperança de que estes sinais, não passem por ser afinal mais um daqueles seus filmes banais...