A mentira é solo fértil, bem carregado de estrume, do qual ervas daninhas se alimentam e tratam de propagar como sabemos ser bem seu costume.
Eva Sêco
A mentira é solo fértil, bem carregado de estrume, do qual ervas daninhas se alimentam e tratam de propagar como sabemos ser bem seu costume.
Eva Sêco
Gosto de observar o mundo à minha volta...
Olhar além do cimento,
Da desarrumação da cidade...
Vou à cata de um pequeno algo que não me cause revolta.
Da minha janela vê-se um microcosmos,
Uma combinação de campo e cidade.
Uma pequena sorte que consegui, uma conquista, uma felicidade.
Gosto de observar o mundo que consigo alcançar...
Depois de dias de chuva, se o mínimo raio de sol...
Nas janelas nascem tecidos coloridos ao vento a dançar.
É domingo e a escola está fechada... Descobri que até gosto da escolita.
Dá um ar de aldeia à minha vista...
(se eu me habituar à gritaria da canalhada).
As pombas são soltas pelo columbófilo,
Tem duas branquinhas que ao passar nas nuvens se tornam invisíveis!
Vejo-as voar pela janela enquanto desfruto do meu momento cinéfilo...
E é a isto que eu chamo "cementfulness"!
Uma forma de gostar da cidade de alguma forma...
Uma receita filosófica:
Juntar o cimento com mindfulness!
Eva Sêco
Relembro-te tantas vezes, todos os dias.
E eu pequenina e tu me surpreendeste?
Pegaste na minha flauta e tocaste melodias...
"Eram de quando eu era pastor!", disseste!
Sonho tantas vezes contigo!
Fico perplexa, pois estás ali comigo!
Imagino-te de volta a tua casa...
Pego na tua mão e levo-te para lá
E a tua casa volta a ser o meu abrigo.
Foste meu avô e foste meu pai.
Não consigo fazer teu luto,
Confesso não saber se o quero fazer...
Tenho demasiado medo de te deixar ir... De te perder.
Eva Sêco
A toda a hora e segundo estive lá,
A toda a hora e segundo te proteji.
Outros tantos como eu choraram o teu sofrer
E com nosso passado de volta mais um pouco de nós também a morrer.
Por ti abandonei outros e esqueci o eu,
Dei toda a energia que não podia.
Deixei-me desgastar novamente por alguém,
Até chegar ao dia em que quase me fodia.
Ainda me manténs aqui,
Fingindo assim... Um qualquer tipo de amizade...
Estou encostada no cantinho...
Não vás precisar do guarda-chuva quando voltar uma tempestade.
Eva Sêco
Como acontece...
Não, não sabemos.
Houve um tumulto
E assustamo-nos.
Os dias que seguem,
São passos medrosos.
Se neles há coincidências...
Ficamos nós tumultuosos.
E não seremos mais os mesmos.
Perdoamos...
Não esquecemos.
E não seremos mais os mesmos.
Perdoamos...
E tememos sentir a mesma dor...
Nunca mais seremos os mesmos...
Após essa dor.
Foi alguém que achávamos ser belo, lindo, perfeito, justo.
Entregamos a eles confiança, segredos, vida, alma e coração...
Sabiam eles do nosso mais profundo medo, sonho e aspiração...
Não seremos mais os mesmos.
Podemos perdoar,
Mas nunca se esquece.
E não seremos mais os mesmos.
Pois perdoamos,
Mas é horrível o medo de voltar a sentir a mesma dor...
Perdoamos, recalcados...
Porque não esquecemos o amor...
Mas nunca se volta a ser o mesmo depois de tanta dor...
Eva Sêco